Introdução
Você já se perguntou: “Será que estou apenas preocupado ou isso que estou sentindo já é ansiedade?”
Uma conta para pagar, uma decisão importante, problemas no casamento, preocupação com os filhos ou uma situação difícil no trabalho podem ocupar nossos pensamentos. Isso faz parte da vida.
Mas existe uma diferença entre estar preocupado com alguma coisa e viver com a mente constantemente dominada pelo medo do que poderá acontecer.
Reconhecer essa diferença é importante para cuidar das emoções sem transformar todo sofrimento em culpa — inclusive culpa espiritual.
1. O que é preocupação e quando ela é normal?
A preocupação geralmente possui um motivo identificável.
Você tem uma conversa importante amanhã e pensa sobre o que deverá dizer. Existe uma dificuldade financeira e começa a procurar soluções. Seu filho está passando por um problema e isso ocupa seus pensamentos.
Perceba que existe uma situação concreta por trás da preocupação.
Em muitos casos, ela nos leva a avaliar um problema, tomar uma decisão e agir.
O sinal de atenção aparece quando você resolve aquilo que poderia resolver, mas sua mente continua procurando novos perigos.
2. O que é ansiedade e quando devemos prestar atenção?
A ansiedade também pode aparecer naturalmente diante de situações importantes. O problema não é simplesmente sentir ansiedade.
Precisamos prestar atenção quando ela se torna intensa, persistente, difícil de controlar ou começa a prejudicar nossa vida cotidiana.
Alguns sinais podem incluir:
- preocupação excessiva;
- inquietação;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração;
- tensão muscular;
- alterações no sono;
- sensação constante de que alguma coisa ruim acontecerá.
Ter um ou alguns desses sintomas não significa automaticamente possuir um transtorno de ansiedade. Entretanto, quando eles persistem e começam a afetar trabalho, relacionamentos ou rotina, não devem simplesmente ser ignorados.
3. Como saber se é ansiedade ou apenas preocupação?
Faça quatro perguntas a si mesmo:
Existe um problema específico por trás daquilo que estou sentindo?
Consigo interromper essa preocupação e direcionar minha atenção para outras coisas?
Continuo em estado de alerta mesmo quando não existe um perigo imediato?
Isso está prejudicando meu sono, trabalho, relacionamentos ou minha rotina?
Essas perguntas não substituem uma avaliação profissional, mas ajudam você a observar o que está acontecendo.
Preocupação costuma estar relacionada a uma situação.
Na ansiedade excessiva, muitas vezes o problema já não é somente aquilo que está acontecendo. A mente começa a viver também aquilo que poderia acontecer.
👉 Leia também: O que Deus diz sobre ansiedade e como encontrar paz interior.
4. Sentir ansiedade significa falta de fé?
Para quem é cristão, existe uma pergunta ainda mais delicada:
“Se eu realmente confiasse em Deus, estaria me sentindo assim?”
É preciso tomar cuidado com essa conclusão.
Nem todo sofrimento emocional é evidência de ausência de fé.
Ao mesmo tempo, a fé também nos confronta. Existem momentos em que precisamos reconhecer que estamos tentando controlar mentalmente aquilo que nunca esteve sob nosso controle.
Orar não significa fingir que o problema não existe.
E buscar ajuda não significa abandonar a fé.
Você pode confiar em Deus e, ao mesmo tempo, reconhecer que existem áreas emocionais que precisam de cuidado.
5. Quando a preocupação começa a controlar sua vida?
Observe quanto do seu presente está sendo consumido pelo futuro.
Talvez sua mente esteja constantemente perguntando:
“E se der errado?”
“E se eu perder?”
“E se acontecer alguma coisa?”
“E se eu não conseguir?”
Planejar o futuro é responsabilidade. Tentar viver antecipadamente todas as possibilidades do futuro é outra coisa.
Talvez você esteja tentando controlar mentalmente aquilo que precisa aprender a enfrentar, entregar ou tratar.
Isso pode ser confrontador, mas também é libertador: você não precisa continuar vivendo da mesma maneira.
6. O que fazer quando a preocupação estiver passando dos limites?
Experimente este exercício:
- Nomeie.
Escreva exatamente aquilo que está preocupando você. - Separe.
Pergunte: “O que depende de mim e o que não depende?” - Aja.
Diante daquilo que depende de você, escolha uma pequena atitude possível para hoje. - Entregue.
Aquilo que não está sob seu controle pode ser apresentado a Deus em oração. - Observe.
Se a ansiedade ou preocupação excessiva estiver persistindo e prejudicando sua rotina, relacionamentos ou qualidade de vida, considere procurar ajuda profissional.
Não espere necessariamente chegar ao limite para começar a cuidar daquilo que está acontecendo dentro de você.
Você não precisa viver refém do “e se…”
Jesus falou sobre preocupação quando ensinou:
“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações.” — Mateus 6:34
Jesus não estava ensinando irresponsabilidade. Ele estava mostrando o perigo de permitir que as preocupações de amanhã roubem a capacidade de viver o hoje.
Também encontramos algo semelhante na história de Marta, em Lucas 10:38–42.
Enquanto recebia Jesus em sua casa, Marta estava ocupada com muitas tarefas. Jesus percebeu algo além de sua atividade: havia um coração preocupado e inquieto com muitas coisas.
Talvez você também esteja carregando hoje problemas que pertencem ao amanhã.
Faça aquilo que está ao seu alcance. Ore por aquilo que não está. E reconheça quando aquilo que você sente precisa ser cuidado.
“Não trate como identidade o que é só uma ferida.” — Reginaldo Machado
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